Porque temos ouvido que o SENHOR secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saístes do Egito...
Raabe, a mulher de Jericó, confessa que o povo da cidade já havia ouvido falar das grandes obras do Senhor a favor de Israel. O testemunho daquilo que Deus havia feito gerou temor no coração dos inimigos, mas gerou despertamento no coração daquela prostituta (Js 2.1).
Esta passagem nos ensina que as obras de Deus não são apenas lembranças históricas, mas sinais vivos do Seu poder que devem nos levar à fé e à obediência.
As obras de Deus manifestadas no passado devem gerar em nós fé viva, temor reverente e compromisso de obediência no presente, além de ser a forma sábia de glorificar o Nome de Deus entre as nações.
As obras do Senhor são lembradas pelos povos, até mesmo por pessoas que os religiosos e gentios enxergam como indignos, como Raabe, uma prostituta que recebeu os espias enviados por Josué.
O agir de Deus é tão grandioso que não pode ser ocultado; até os povos inimigos, como os habitantes da cidade de Jericó, reconhecem Seu poder.
O poder de Deus, comprovado em Seus portentosos feitos, tem sido ouvido pelos povos (Sl 46.10), mesmo quando o Seu professo povo que testemunhou os fatos tenha declinado da fé.
Raabe declara: “temos ouvido”. As obras de Deus correm e chegam aos ouvidos de muitos. Quando O Todo-Poderoso é exaltado, as nações ouvem e temem, mas quando o professo povo de Deus fala de si mesmo e da sua instituição, o testemunho é sem efeito. As nações sabiam que o Deus de Israel não era como os deuses pagãos, porque o Seu Nome foi engrandecido.
O mundo precisa ouvir de nossas bocas o que Deus já fez e tem feito em nossas vidas. Quando Deus age, até os inimigos tomam conhecimento e passam a temer o Seu Nome.
Após a travessia do mar Vermelho, Moisés cantou: “Os povos ouvirão, estremecerão (...)” (Ex 15.14). Não há como negar as obras de Deus; até quem resiste precisa reconhecer Sua mão. Como ninguém pode esconder o sol com a mão, assim ninguém pode negar os feitos do SENHOR. Os feitos de Deus são tão grandes que até os ímpios reconhecem Seu poder.
Raabe também afirma: “(...) o nosso coração desmaiou (...)”. Todos os que se tornam inimigos de Deus não resistem quando Ele se levanta para agir. As obras do SENHOR confirmam a fé dos que O buscam. O testemunho do agir de Deus gera fé genuína em corações abertos.
A fé nasce ao ouvir (Rm 10.17). Raabe ouviu e creu. A Palavra de Deus precisa ser anunciada, porque é pelo ouvir que a fé nasce. Como uma semente lançada na terra gera vida, a Palavra ouvida gera fé. O ouvido é a porta por onde a fé entra no coração. A fé se firma nas obras de Deus (Hb 11.31): “Pela fé Raabe não pereceu com os incrédulos.”
A fé não está baseada em boatos humanos, mas nas obras comprovadas de Deus. Assim como alguém confia em uma ponte já testada, Raabe confiou no Deus que já tinha provado Seu poder. A fé verdadeira se apoia em obras verdadeiras de Deus.
A fé conduz à ação (Tg 2.25). Raabe demonstrou sua fé escondendo os espias, mesmo sabendo que estava colocando em risco a sua vida, tornando-se uma traidora da pátria. A fé que apenas ouve e não age não é fé verdadeira. A fé que não se move não é fé que salva.
As obras do SENHOR exigem decisão diante dEle. Ninguém permanece neutro diante dos feitos de Deus; ou se teme e foge, ou se crê e se entrega. A neutralidade é impossível (Mt 12.30). Jesus disse: “Quem não é por mim é contra mim.”
Jericó ouviu e temeu, mas apenas Raabe tomou uma decisão de fé. Diante de um tribunal, não há espaço para neutralidade: ou se é inocente ou culpado. Diante de Deus, não há meio-termo: ou se crê ou se perece.
Josué 2.10 mostra que o poder de Deus não pode ser ignorado: os povos ouviram, temeram, mas apenas Raabe creu. Isso nos ensina que ouvir falar das obras de Deus não é suficiente: é preciso crer, agir e se entregar a Ele.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

