Ciro, o grande rei persa que conquistou o antigo império babilônico, em parceria com os medos, apesar de gentio, oriundo de uma nação pagã e idólatra, é mencionado por Deus em Sua Palavra num contexto de honra.
Ele é chamado por Deus de "meu ungido":
"Assim diz o Senhor ao seu ungido: a Ciro, cuja mão direita seguro com firmeza para subjugar as nações diante dele e arrancar a armadura de seus reis, para abrir portas diante dele, de modo que as portas não estejam trancadas." (Is 45.1).
Obviamente, Ciro não era um profeta ou servo de Deus que conhecia e praticava todos os ensinamentos da Torah, como deveriam fazer os reis de Israel e Judá, que recebiam uma cópia do livro da lei, juntamente com o sumo sacerdote, para cumprir e ser exemplo para todos.
Ciro é chamado de ungido do SENHOR num sentido tipológico. Todas as palavras que são dirigidas a ele, na verdade, são perfeitamente aplicadas na vida de Jesus, o Cristo (ungido), o único e perfeito Messias, enviado por Deus para ser o soberano de um reino eterno e o único que nenhuma porta se fecharia para Sua autoridade.
As palavras direcionadas a Ciro, tanto em Isaías como no livro de 2 Crônicas, verso em epígrafe, são tipos que apontam para Jesus. O examinador das Escrituras Sagradas não deve se apegar à letra morta e perder a revelação espiritual nessas palavras.
O próprio Ciro dá testemunho de que Yahweh, o Deus Criador dos céus e da terra, o havia designado para que construísse ou reconstruísse um/o templo em Jerusalém, bem como promovesse o retorno dos judeus oprimidos no cativeiro babilônico à sua terra natal.
Ciro, com seu poderoso exército, derrubou o império babilônico e concedeu liberdade a muitos judeus para que retornassem às suas terras, mas não cumpriu em sua plenitude a mensagem espiritual antitípica nessas Escrituras.
Somente Jesus poderia vencer a Babilônia mística e tudo o que ela representa de engano e opressão, conforme está descrito em Apocalipse 17 e 18. O Cordeiro de Deus é o único que pode subjugar todo esse sistema dominador e opressor (Ap 17.14 e 18.21).
Ciro poderia patrocinar com recursos financeiros e com seu poder político a reconstrução do templo de pedra, inicialmente construído no tempo do rei Salomão, mas jamais poderia construir templos espirituais nas pessoas, pois somente Cristo recebeu tal autoridade e poder.
Os templos de Salomão e de Herodes, reformados, se transformaram em ruínas pela mão do homem e pelo fogo, não restando pedra sobre pedra, conforme profetizou o nosso Senhor Jesus (Mt 24.2).
Todavia, os verdadeiros templos vivos, onde prefere habitar o Deus vivo, não são em edifícios de pedras, madeira, ouro ou prata, mas nas mentes das pessoas, um "lugar" sem paredes, fronteiras ou limitações físicas.
Deus não habita em templos feitos por mãos humanas, mas nas mentes das pessoas, onde Seu espírito pode residir eternamente (1Co 3.16).
Jesus foi o primeiro templo perfeito de Deus (Jo 2.19), para que, através do Seu espírito enviado às nossas mentes (corações), pudéssemos também nos tornar templos vivos e santos para receber a presença do Pai (Gl 4.6). Ciro jamais poderia cumprir a mensagem em sua plenitude.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

