Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.
O chamado divino para uma vida marcada pela bondade, misericórdia e perdão é uma clara demonstração da graça de Deus em favor da raça humana.
A graça recebida da fonte que é Deus, o Todo-Poderoso, através de Cristo, deve transformar nosso caráter, tornando-nos pessoas misericordiosas, bondosas, compassivas e perdoadoras, assim como Ele foi para conosco.
Vivemos em um mundo frio, impiedoso e rancoroso. Em uma sociedade onde o amor se esfria e o ego se exalta, as relações humanas estão cada vez mais quebradas, mas Deus, nosso Pai bondoso, por meio da sua Palavra, nos convida a trilhar um caminho diferente, o caminho da benignidade, da misericórdia e do perdão.
O apóstolo Paulo escreve aos efésios não apenas para corrigir comportamentos, mas para revelar o padrão de Cristo na convivência entre irmãos. O perdão não é uma opção para o crente, é uma expressão da nova natureza que recebemos em Jesus.
Efésios 4.32 é um dos versículos mais belos e práticos do Novo Testamento, ele resume como deve ser o Evangelho vivido, de forma prática, nas relações humanas.
A bondade que nasce de um coração transformado é um dos primeiros frutos do espírito. A verdadeira bondade não é fruto da educação, mas do novo nascimento em Cristo.
O texto diz: "Antes sede uns para com os outros benignos (...)”. O termo “benignos” vem do grego chrēstoi, que significa “bondosos, gentis, úteis”. A ideia aqui é de uma disposição constante para o bem, não apenas uma atitude ocasional.
Paulo está contrastando o “homem velho” do versículo 31, cheio de amargura, ira e malícia, com o “homem novo” que age com brandura e graça. A benignidade é o perfume de Cristo no caráter do crente (Gálatas 5.22). Quem nasceu de novo deve manifestar o caráter do seu Pai Celestial, que “é benigno até para com os ingratos e maus” (Lucas 6.35).
Ser benigno é responder ao mal com o bem, é abençoar quem fere, é agir com ternura mesmo quando o coração quer revidar. Examine como você trata as pessoas ao seu redor. Sua bondade é condicional ou reflete o amor incondicional de Deus?
Conta-se que Abraham Lincoln, ao ser criticado por mostrar gentileza a seus inimigos, respondeu: “Não destruo meus inimigos quando os torno meus amigos?” A benignidade tem poder de desarmar corações endurecidos. A bondade não é fraqueza, é força moldada pela graça.
A misericórdia é o coração sensível que sente a dor do outro e age para aliviar o sofrimento. O termo grego eusplanchnoi significa literalmente “ter entranhas compassivas”, isto é, sentir no íntimo a dor alheia.
A misericórdia é mais que emoção, é compaixão em ação. É a virtude de quem conhece o amor de Deus e deseja expressá-lo. Jesus foi o exemplo máximo dessa expressão: “E, vendo as multidões, moveu-se de íntima compaixão por elas” (Mateus 9.36). A igreja é chamada a ser o corpo de Cristo e, portanto, a sentir com Ele.
O perdão do crente deve ter a mesma medida e o mesmo modelo do perdão de Deus em Cristo. Paulo escreveu: “(...) perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Ele coloca o perdão cristão em sua mais alta referência: “como Deus perdoou vocês em Cristo.”
Negar o perdão é negar o Evangelho. O perdão é o sinal de que compreendemos o sacrifício de Deus e de Cristo. Jesus nos ensinou a orar: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6.12).
Perdoar é decidir libertar o outro e depois descobrir que o liberto é você. Quem você precisa perdoar hoje? Enquanto o ressentimento é uma prisão, o perdão é uma chave que abre as portas da alma para desfrutar os tesouros de Deus.
Efésios 4.32 nos chama a viver o Evangelho não apenas nas palavras, mas nas atitudes. Ser benigno, misericordioso e perdoador é refletir o caráter de Cristo. A igreja que vive esses três pilares se torna um farol em meio às trevas do egoísmo e da indiferença.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

