E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé.
Um problema religioso gravíssimo que ameaçava no passado e ainda ameaça a salvação das pessoas que professam servir a Deus, é a "letra morta" da lei, da Torah, como afirmou o apóstolo Paulo (2Co 3.6).
Esse problema esteve no centro de todas as questões trazidas pelos fariseus a Cristo, para testá-Lo ou provocá-Lo.
Líderes religiosos que não conseguiam enxergar a mensagem espiritual da parte de Deus, através da mensagem escrita, permaneciam limitados à mensagem gramatical, na superfície da letra, buscando se afirmar justos perante o povo, devido a esse pobre conhecimento.
Para piorar, os seus entendimentos rasos criavam oportunidades para que a tradição e os costumes dos antepassados entrassem e, aos poucos, fossem tomando o lugar do entendimento espiritual e profundo do que o Altíssimo queria realmente transmitir.
Em seus entendimentos rasos, a lei ou a Torah, como chamavam as Escrituras Sagradas dadas através de Moisés, os tornava justos, e suas carnes, por ter o DNA de Abraão, Isaque e Jacó, lhes davam a garantia de serem povo de Deus e objeto de Sua máxima atenção e proteção.
Esse raciocínio é o tema central do apóstolo Paulo quando aborda a relação fé e lei, ou graça e lei. Lei aqui não se refere aos dez mandamentos, como muitos leitores leigos e equivocados acreditam, por terem recebido informações equivocadas de seus líderes despreparados.
Quando Paulo diz que pela lei ninguém será justificado, não está anulando a lei, pois ninguém pode anular a lei de Deus, nem ELE mesmo, pois não volta atrás, não muda, não erra e não faz nada que careça ser consertado mais tarde (Ml 3.6; Is 40.8 e Tg 1.17).
Até porque o próprio apóstolo Paulo já havia ensinado que antes da fé, é necessário que venha o conhecimento e a prática da lei:
"Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei." (Rm 3.31)
Aqueles que ensinam erroneamente, por isolar o texto de Gálatas 3.11 de todo contexto das cartas paulinas, que a lei não é mais necessária, que basta a fé; que vivemos no período da graça e a graça anulou a lei completamente, estão fazendo de Paulo um homem que se contradiz e de mente perturbada e confusa, colocando em discredibilidade todas as suas mensagens.
Com isso, cometem um pecado parecido com os fariseus cegos, presos à letra morta das Escrituras, só que indo para o outro extremo do entendimento. Se para os fariseus a lei (Torah) era tudo, para os pseudo-teólogos da "graça barata", a lei não vale nada.
Se comportam como cegos que não querem enxergar o óbvio. Paulo está nos apresentando o papel da lei, da fé e da graça. Quando confundem essas palavras e os seus propósitos, não entendem a mensagem espiritual, vivendo de textos isolados.
Sem a lei, o homem nem chegaria a Cristo para conhecer a fé, conforme está no contexto direto de Gálatas 3.11 (Gl 3.24). Se a lei conduz à compreensão do Cristo, do caminho e da verdade, a fé, por praticar as obras da lei, traz justiça ao homem que, efetivamente, é alcançado pela graça com seu braço salvador.
Por isso, conclui-se que o homem vive pela fé, pois, se for só pela lei, andou apenas a primeira parte do caminho, como fizeram os judeus nos dias de Cristo e dos apóstolos.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

