Não aconteça que, depois de teres comido e te fartado, e de haveres edificado boas casas e habitado nelas,
Existe uma frase muito utilizada por aqueles que fazem um humor debochado e inocente, que diz assim: "Se um dia eu fui pobre, não me recordo”.
Um operário que acabou receber o seu limitado e pobre salário vai dizer essa frase num misto de alegria e apreensão, pois vai poder comprar os mantimentos para sua família, porém ciente que é muito pouco e logo acabará.
Para seguir motivado diante da sua realidade tão dura, diz essa frase em tom de humor, como que desdenhando da própria desgraça, sendo essa uma forma de amenizar suas dificuldades. Rir para não chorar é o lema por trás dessa frase empregada por um pobre trabalhador.
Entretanto, a essência da mensagem contida nessa frase revela muito sobre a falta de discernimento do homem pecador.
Há inúmeras admoestações na Palavra de Deus para o homem que é resgatado da escravidão ou do lamaçal de pecados e entra para debaixo das bênçãos do Senhor, melhorando tanto materialmente como espiritualmente. Todos são alertados para que não se esqueçam de onde foram resgatados, quando estiverem bem de vida.
Essa exortação serve para todos os homens de todas as épocas, pois o ser humano é esquecidiço, principalmente quando é tirado do sofrimento e posto numa condição de bem-estar e paz social, sem passar necessidades.
Diante dessa realidade humana, o Senhor estabeleceu várias festas anuais para o antigo Israel, e a maioria delas é para fazê-lo lembrar que ele havia sido escravo no Egito e resgatado com mão forte, devendo portanto, agir da mesma forma com os escravos e sofredores do mundo, promovendo liberdade para todos.
Desde a antiguidade é assim: O homem se torna próspero pelas bênçãos de Deus, sabendo que tem que agir da mesma forma para com os necessitados, mas se esquece logo que se torna rico ou abastardo. Esquece o seu dever para com o pobre e para com a verdade que liberta e se torna um dominador.
O SENHOR permite que os juízos de servidão retornem a vida dele e dos seus descendentes para que aprendam a lição. Depois de aprender, é reerguido com novas bênçãos de prosperidade e torna a cair de novo. Esse ciclo vicioso no homem é desde os dias de Adão.
Aquele que passou a ser rico se esquece que foi pobre um dia e nele se cumpre o provérbio popular, não mais com humor, mas com a constatação da triste realidade do homem pecador.
O Senhor exortou o Seu povo para que nunca se esquecesse de onde foi resgatado por ELE. Não deveriam se esquecer da vida dura que experimentaram no Egito, bem como foram resgatados pela mão poderosa do Senhor, livrando-os da terrível escravidão e dando-lhes uma vida de liberdade, fartura e abundância.
Mas o povo se esqueceu muito rápido e seguiu após os costumes das nações vizinhas e serviram aos seus deuses. Esse ocorrido do passado se repete no tempo presente e continuará até o fim, a menos que Cristo entre na vida do homem e o transforme numa nova criatura.
O problema está no homem. Ele sempre esquece quando é para fazer o bem, mas para fazer o mal, a sua memória é sempre recente, pois é de sua natureza praticar o mal e a injustiça. O homem não mudou, ainda é o mesmo.
É por isso que no contexto do verso de hoje (Dt 8.12-14), o verbo mais citado é “lembrar”. Só tem uma forma de relembrar sempre os feitos do Senhor por nós: Examinar a Sua Palavra dia e noite, meditando em seus preceitos, desde o levantar até o deitar.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

