Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço, escreve-as na tábua do teu coração... e acharás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens.
O livro de Provérbios nos coloca diante de princípios eternos para viver de forma sábia diante de Deus e dos homens. Salomão, instruindo seu filho, diz que duas virtudes devem ser inseparáveis na vida do justo: benignidade (amor leal) e fidelidade (verdade constante).
Ele não fala apenas de possuí-las ocasionalmente, mas de carregá-las como um colar e gravá-las no coração, ou seja, visíveis aos outros e profundas em nós.
A vida que agrada a Deus e conquista respeito diante dos homens é marcada pela prática constante da benignidade e da fidelidade.
Qual a importância da benignidade e da fidelidade na vida do homem? Benignidade e fidelidade são virtudes indispensáveis para quem deseja viver em harmonia com Deus e com o próximo.
A benignidade é o amor em ação. Benignidade traduz o amor que se expressa em bondade, misericórdia e generosidade (Mq 6.8). Não é um sentimento passageiro, mas um compromisso em agir para o bem do outro, mesmo quando o outro não merece.
No lar, no trabalho e na igreja, a benignidade transforma ambientes hostis em espaços de paz. Como uma árvore que dá sombra e frutos até para quem joga pedras nela. A benignidade é o evangelho pregado em silêncio.
A fidelidade é a verdade sustentada pelo caráter. Fidelidade significa firmeza, lealdade e compromisso com a verdade (Lm 3.23). Não se trata apenas de falar a verdade, mas de viver de modo confiável e íntegro. Quem é fiel não muda conforme a conveniência; mantém-se reto mesmo sob pressão. Como um farol que permanece aceso em todas as tempestades. Fidelidade é ser o mesmo quando ninguém está olhando.
A união inseparável dessas virtudes é um espelho da relação pessoal e perfeita entre Deus e Jesus Cristo, Seu Filho. Salomão diz ao seu filho: “(...) não te desamparem (...)”, como quem afirma que elas devem andar juntas. Benignidade sem fidelidade pode ser conivência com o erro; fidelidade sem benignidade pode ser dureza insensível. Como as duas asas de um pássaro que, juntam em cooperação harmoniosa, permitem o voo, assim é a união da benignidade e a fidelidade.
Pense em um médico que tem compaixão pelo paciente (benignidade) e, ao mesmo tempo aplica o tratamento correto (fidelidade), mesmo sendo mais dispendioso para sua clínica e alvo de crítica para sua administração financeira. Sem as duas, a cura não acontece.
“(...) ata-as ao teu pescoço (...)”. É primordial que essas virtudes sejam vistas pelas pessoas e que elas sejam despertadas para viverem da mesma forma. No oriente, pendurar algo no pescoço simbolizava algo sempre presente e visível. A vida cristã deve mostrar essas virtudes de forma clara para todos. Não basta ser benigno e fiel no íntimo; os outros precisam perceber. Virtude escondida não transforma ninguém.
“(...) escreve-as na tábua do teu coração”. Essas virtudes devem estar bem guardadas na profundidade no caráter. A tábua do coração representa o centro da vontade e das emoções (Pv 4.23). Virtudes superficiais desmoronam na pressão; virtudes enraizadas permanecem. Como sementes plantadas fundo para resistirem aos ventos. O que está no coração resistirá ao tempo e à prova.
O perfeito equilíbrio entre o interno e o externo. A ordem de Salomão é dupla: no pescoço (externo) e no coração (interno). Uma virtude sem essa harmonia é fachada ou religiosidade vazia. Deve-se viver de forma que as pessoas vejam o que Deus já gravou no interior. A vida que agrada a Deus é coerente por dentro e por fora.
“(...) E acharás graça (...)” diante de Deus. A graça aqui não é salvação por mérito, mas o favor divino sobre quem anda em retidão (Sl 5.12). Deus se agrada quando Seu caráter é refletido em nós. Quem planta benignidade e fidelidade colhe portas espirituais abertas para acessar as suas bênçãos.
"(...) e bom entendimento (...)” aos olhos dos homens. Bom entendimento é uma reputação de sabedoria e confiança (At 6.3). Pessoas benignas e fiéis se tornam referência para outras. Sua vida deve ser um convite para que outros conheçam a Deus. O mundo respeita quem vive o que prega.
Salomão nos chama a vestir e gravar duas joias espirituais: benignidade e fidelidade. Elas são a expressão prática do amor de Deus e a base de relacionamentos saudáveis.
No fim, quem vive assim não apenas agrada a Deus, mas também se torna luz e sal na terra para os homens.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

