Tenho muitas coisas para vos escrever, mas não quis fazê-lo com papel e tinta; espero ir ter convosco e falar face a face, para que o nosso gozo seja completo.
A tecnologia que promete trazer bem-estar e inúmeras facilidades para o homem, encurtando distâncias, realizando tarefas difíceis com mais perfeição em um tempo inferior, melhorando a produtividade e aperfeiçoando a comunicação, parece ser uma dádiva de Deus.
Como traçar essa linha tênue entre aquilo que a tecnologia é boa e ajuda o homem, e onde ela começa a atrapalhar a vida saudável, física e espiritualmente? Essa missão não é fácil!
Voltando o nosso olhar exclusivamente para dentro da religião cristã, analisando o papel da tecnologia dentro da igreja cristã, é possível vermos avanço material da instituição e o retrocesso na espiritualidade de muitos membros.
A internet, por exemplo, transformou qualquer um em pastor e qualquer um que fala bem e esteja bem trajado, numa pessoa de boa reputação religiosa e de caráter cristão ilibado, basta pagar por isso ou conhecer os algoritmos dessa caixa de Pandora.
Outro aspecto que parece bom, pela comodidade de alguns, é o culto on-line, onde o membro de igreja, sem sair de casa, no conforto do seu sofá, pode "adorar" a Deus. Até que ponto essa adoração pode ser perfeita ou aceita por Deus?
O membro que pode ir à igreja, mas prefere ficar em casa, deixando a comunhão pessoal com os irmãos, se esquivando do exercício necessário da convivência que estimulará a tolerância e a compreensão do viver em comunidade, está fazendo a obra de Deus do seu jeito e não como o Senhor pediu.
Para complicar ainda mais o cenário, depois da pandemia de 2019, dos lockdowns, a igreja cedeu aos gostos de um público mal acostumado, mas para agradar seus clientes e não perder em arrecadação, continuou a atender esse "público". Vale tudo para satisfazer o seu cliente.
Para a santa doutrina bíblica, a comunhão pessoal e aproximada entre os irmãos é um santo mandamento que não deve ser descartado ou substituído por nada. A igreja que adota esse tipo de distanciamento religioso está cavando a sua sepultura para a morte espiritual.
Esse tipo de escolha só beneficia o líder virtual sem compromisso com os membros e irmãos da sua igreja, na qual ele deveria ser um servo disposto e disponível o tempo necessário, para promover a saúde das pessoas que ele julga ser responsável.
Outra possibilidade que essas escolhas podem trazer aos líderes e a membresia, é o espírito de hipocrisia, pois diante da telinha todo mundo parece santo, mas distante das vistas dos irmãos e da convivência, o professo cristão é estimulado a viver uma vida dupla ou profana.
O apóstolo João nos dá um grandioso testemunho sobre a dádiva de poder estar junto com os irmãos. Ele diz que poderia escrever as muitas coisas que desejava dizer aos seus irmãos em Cristo, mas preferiu fazer isso pessoalmente.
Segundo o santo apóstolo, pois somente assim o seu GOZO seria COMPLETO. É incomparável adorar juntamente com outras pessoas que estão no mesmo espírito, do que fazer isso sozinho.
A vida em comunidade, em comunhão aqui na Terra, é um precioso estágio para aqueles que estão se preparando para viver no reino de Deus, a maior de todas as comunidades, onde haverá a mais perfeita comunhão.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

