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Devocional

Circuncisão Espiritual

Por Fábio Amaro

04 de maio de 2025

Circuncisão Espiritual

E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração da tua semente, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, para que vivas.

A circuncisão foi um sinal de sacrifício e de obediência à Palavra do SENHOR, dada há muito tempo, antes mesmo de Moisés registrá-la nos livros da lei, do pentateuco, iniciada com Abraão e sua casa: seu filho Ismael e os seus servos.

A circuncisão era um sinal de fidelidade a ser feito na carne. Consistia em cortar um pedaço de carne do órgão sexual masculino, do prepúcio. É idêntico ao que é feito na cirurgia de fimose nos dias atuais. Obviamente, esse sinal não poderia ser aplicado às mulheres.

A partir da inauguração desse sinal com Abraão, os seus descendentes deveriam fazer o mesmo com todos os seus filhos ao oitavo dia de nascimento.

Esse sinal se tornou um costume que se incorporou à cultura hebraica e judaica, de tal forma que o seu olhar tradicional sobre essa prática tem dificultado o entendimento da mensagem espiritual desse tipo tão importante para as boas novas trazidas pelo Prometido de Deus.

O apóstolo Paulo compreendeu essa tipologia ao experimentar em sua mente o antítipo da verdadeira e maior das circuncisões:

"Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Mas judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, não na letra." (Rm 2.28-29).

A circuncisão na carne era apenas um tipo que apontava para a circuncisão no espírito, no entendimento da nova criatura em Cristo Jesus. É devido a isso que Paulo ensina que a circuncisão na carne, no período da nova aliança, havia perdido o sentido de ser, pois o povo estava experimentando algo muito maior, tornando a antiga prática como algo obsoleto e rudimentar.

"Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor algum, mas sim a fé que atua pelo amor." (Gl 5.6)

Entretanto, o que o apóstolo Paulo estava ensinando era algo novo, uma nova doutrina, ou isso já havia sido ensinado por Moisés nos primórdios das Escrituras Sagradas? 

Paulo não prega nada novo, e nem poderia, pois se fizesse estaria anulando a Palavra de Deus, que não muda e nem volta atrás. Paulo estava ratificando o que Moisés já havia escrito na Torah ou pentateuco: "O SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração [...]" (Dt 30.6).

Portanto, esse entendimento espiritual da circuncisão não deveria ser algo difícil de se compreender para as pessoas ligadas à cultura judaica. O tipo e o antítipo já estavam claramente descritos e prefigurados desde o princípio. 

A mensagem que o Altíssimo queria passar sempre foi para a edificação do homem espiritual e nunca para edificar o homem carnal, pois a edificação do homem carnal significa fortalecer a carne e os seus desejos inclinados para o pecado. Jamais o SENHOR teve essa intenção.

"Cortar na própria carne" ou "Cortar a carne ligada ao prazer inclinado ao pecado", eram mensagens espirituais que o Altíssimo queria que o Seu professo povo entendesse, para que O amassem e compreendessem que só o espírito vivifica. Se a carne é morte, o espírito é vida.

Essa perfeita linguagem tipológica também se aplica ao Pai, o Todo-Poderoso, que "cortou na própria" primeiro, para nos dar o exemplo de amor e sacrifício por algo que não era Sua culpa. 

Ao cortar o Seu Filho de Si mesmo, para oferecer em lugar do pecador, o Pai estava cortando na "própria carne" Aquele que Lhe dava prazer: "Filho em quem me comprazo". Portanto, a mensagem da circuncisão é muito maior do que cortar um pedaço de carne, sem entendimento, somente por tradição.

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.