E deleitar-se-á no temor do SENHOR; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos.
O capítulo 11 de Isaías é uma joia profética. Ele antecipa o Messias com detalhes minuciosos: Sua origem humilde, Sua unção gloriosa, Seu caráter perfeito e Seu reinado justo.
No verso 3, Isaías apresenta uma característica surpreendente do Messias: Ele se deleita no temor do SENHOR, Seu Deus e Pai.
Não se trata de medo, pavor ou insegurança. Não é temor servil, mas reverência amorosa.
Não é postura forçada, mas deleite, prazer, satisfação profunda, por confiar nAquele que está no controle da Sua vida.
Isaías nos revela que o Messias, Jesus, o Cristo, não apenas teme ao Pai, o Seu Deus, mas se compraz, se alegra, se satisfaz no temor do SENHOR.
Se o Cristo perfeito encontra prazer no temor do Pai, é uma clara indicação daquilo que devemos buscar: aprender a nos deleitar nesse temor santo que transforma o viver.
O temor do SENHOR é a fonte de prazer, discernimento e justiça para o Messias e também deve ser para cada filho de Deus.
Assim como Cristo encontra prazer no temor do SENHOR, o verdadeiro discípulo só encontra alegria plena quando vive em reverência ao Deus vivo. O Messias não teme por obrigação, mas por amor. Ele vê o temor como fonte de prazer e comunhão. Salmos 112:1 confirma: “Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR (…)” (ACF).
Temor não é algo para fugir, mas para buscar. Ele honra Deus e nos protege do mal. O temor que afasta do pecado é o mesmo temor que aproxima de Deus.
Jesus nos deixou o exemplo de como viver na perfeita dependência: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4:34 ACF). Quem teme ao SENHOR deseja agradá-Lo e vive para glorificá-Lo. O temor do SENHOR afina nossa vida com a vontade de Deus.
O Messias é apresentado como o Rei perfeito porque teme ao SENHOR. O temor do SENHOR não é emoção, é caráter, produz santidade, honestidade e pureza. Que áreas do seu caráter precisam ser submetidas ao temor de Deus? O temor do SENHOR transforma caráteres rasos em vidas profundas.
O temor de Deus concede ao homem a capacidade de enxergar além das aparências e julgar com justiça. O temor do SENHOR livra dos enganos que há nas aparências. O texto afirma: “(...) não julgará segundo a vista dos seus olhos (…)”. Com a sabedoria advinda do temor, o Messias confiará nAquele que vê o coração (1Sm 16.7). A visão de Deus começa onde termina a visão humana.
O temor do SENHOR também protege das vozes enganosas. O texto também afirma: “(…) nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos.” Jesus não se guiava por boatos, opiniões humanas ou pressões sociais. Ele julgava todas as coisas pelas palavras orientadoras que ouvia do Pai (João 5.30).
Quantas vidas são destruídas por julgamentos feitos com base em rumores? Quem teme a Deus discerne a verdade. Quem ouve a voz de Deus não é enganado pelo barulho do mundo.
O temor do SENHOR dá julgamento justo. O Messias julga com equidade porque dá ouvidos à voz de Seu Deus. Ele teme porque ama o Seu Pai. Justiça não nasce de olhos humanos, mas de corações submersos no temor de Deus. Para julgar bem, aconselhar bem e decidir bem, precisamos temer ao SENHOR acima de tudo.
Uma balança precisa estar calibrada para medir corretamente. O temor do SENHOR é essa calibração. O temor de Deus é a balança justa que pesa todas as decisões. Assim como lentes corretivas permitem que olhos doentes enxerguem nitidamente, o temor do SENHOR corrige nosso discernimento espiritual.
Isaías 11.3 nos revela: O temor do SENHOR é prazer, não fardo, é discernimento, não ignorância, é fundamento, não acessório.
Se Cristo, justo e santo, se deleitou no temor do SENHOR, quanto mais nós precisamos abraçar esse temor santo. Que possamos dizer como Cristo: “Eu me deleito no temor do SENHOR.”
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

