Desde os dias de nossos pais até ao dia de hoje estamos em grande culpa; e por causa das nossas iniquidades fomos entregues, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes, à espada, ao cativeiro, ao despojo e à confusão de rosto...
O povo judeu estava cativo nas terras da Babilônia, submissa e dominada pelos caldeus, e agora encontrava-se sob o domínio dos persas, comandados pelo rei Ciro.
Pela mão de Ciro, como profetizado pelo profeta Isaías no capítulo quarenta e cinco do seu livro, os judeus cativos seriam liberados para voltar a Jerusalém e reconstruí-la.
Após dar todo o apoio para essa empreitada, Ciro permitiu que Esdras e muitos outros judeus, bem como os levitas que formariam o novo corpo do sacerdócio que operaria no templo do SENHOR, que deveria ser restaurado pelas mãos desses remanescentes.
Ao retornarem a Jerusalém e ao contemplarem a cidade em estado de ruínas, muitos sentimentos afloraram nos corações daqueles que estavam pisando pela primeira vez na sua terra natal, além dos outros que tinham sido levados à força quando ainda eram crianças, quase perdendo a ligação com o torrão onde seus antepassados testemunharam os milagres do Altíssimo.
O espírito do SENHOR tocou profundamente o coração de Esdras, que concluiu, em desabafo e em forma de testemunho, para todo o povo judeu que estava retornando à pátria amada, fazendo-o entender o quão perversa foi a rebeldia do povo contra o Deus de Israel.
O espírito de Deus no coração de Esdras o conscientizou, fazendo-o enxergar quanta maldade o povo de Israel havia praticado contra a vontade do Altíssimo, sob a influência negativa dos líderes religiosos e políticos e do próprio povo.
Ele reconheceu que a culpa de todo o povo era grande, passando a sofrer as consequências dessa desobediência em forma de um espírito de rebelião contra Deus e Suas leis, que foram dadas para guiar e proteger o povo do mal.
As consequências dessa rebelião contra o Altíssimo foram a espada. A guerra trazia medo e constante inquietação ao povo, tirando-lhe o sossego e a tranquilidade que traz saúde e faz o homem produtivo e colaborador da nação.
O cativeiro foi o segundo degrau na escalada do sofrimento. Não bastassem as guerras e os rumores de guerras que perturbam o espírito e fazem a alma sofrer, pela implantação do império do medo e do terror.
O despojo foi o terceiro degrau na descida para a servidão e para a morte. Tudo o que o povo havia construído: casas, móveis e bens, tudo aquilo que lhe trazia conforto e bem-estar, e, sobretudo, um vínculo com suas raízes e costumes, seria perdido, tomado à força.
Por último, a humilhação. Não há nada mais degradante do que passar pela humilhação de ser reduzido a nada. A dignidade da pessoa humana é completamente ignorada nesse cenário experimentado pela nação dos judeus, quando levada cativa para a Babilônia.
Imaginem um rabino, mestre da lei, professor e formador dos filhos dos judeus, agora sendo um escravo que realizaria serviços braçais, e todo o conhecimento acumulado durante décadas seria silenciado, passando a servir pessoas rudes que não conseguiam enxergar esses "valores".
Tudo isso, devido às escolhas do povo de Israel. Ao escolher o pecado, a transgressão da lei de Deus, experimentaram toda sorte de dores e sofrimentos, fazendo com que seus descendentes colhessem os frutos amargos da sua desobediência.
Obedecer é a condição para vivermos debaixo das asas da graça de Deus e evitar os sofrimentos trazidos pelo pecado.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

