Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Romanos 8 é o grande capítulo da vitória e da segurança do crente. Paulo revela como viver sob a santa influência do espírito de Cristo, que traz ao coração da nova criatura a certeza da adoção e a esperança da redenção final.
No versículo 21, foco de nossa reflexão, ele abre uma janela para o futuro, revelando que não apenas os filhos de Deus, mas toda a criação aguarda a redenção.
A criação está sob os terríveis efeitos da corrupção desde a queda, mas em Cristo há esperança de libertação. Assim como nós, que fomos regenerados, aguardamos a plenitude da glória, a própria criação participa dessa expectativa.
A esperança cristã aponta para uma libertação futura: da corrupção para a glória, da escravidão para a liberdade, do sofrimento para a restauração em Cristo.
A escravidão da corrupção é a pior das servidões, pois contra ela não há solução vinda do homem, mesmo com todo o conhecimento e tecnologia. O homem continua envelhecendo e morrendo, da mesma forma ocorre com tudo o que está na natureza.
Toda a criação "geme", uma figura de linguagem para expressar o quanto a natureza decaiu do seu estado original, porque está sujeita à escravidão da corrupção.
“(...) a servidão da corrupção (...)”. Desde a queda de Adão, a criação foi amaldiçoada (Gn 3.17-18). A morte, a dor e a decadência são resultados dessa corrupção. Devemos reconhecer que o pecado não afeta apenas o homem, mas toda a criação. Assim como a ferrugem corrói o ferro, o pecado corrompeu toda a ordem criada. O pecado não apenas afastou o homem de Deus, mas também feriu toda a criação.
Paulo usa a linguagem da criação “gemendo” (Rm 8:22), como em dores de parto. O gemido não é de desespero, mas de expectativa, como uma mãe que sofre, mas aguarda com alegria o nascimento do filho. Devemos aprender a olhar para o sofrimento presente com a perspectiva da esperança futura. Nossas lágrimas não são em vão.
A criação não pecou, mas sofre por causa do homem. Como mordomos de Deus, falhamos em nosso papel, trazendo consequências para tudo o que nos cerca. Devemos assumir responsabilidade pelas consequências de nossos pecados e buscar viver de forma que honre a Deus e preserve aquilo que Ele criou. O pecado do homem trouxe escravidão à criação, mas a obediência a Cristo aponta para sua libertação.
A criação aguarda, assim como nós, a manifestação da glória dos filhos de Deus: “(...) liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8:21). No reino de Deus não haverá mais corrupção, morte ou dor; essa mesma liberdade será compartilhada pela criação renovada. Nossa esperança não é apenas escapar da morte eterna, mas participar da glória eterna com Cristo.
A esperança é certa porque foi decretada por Deus. Assim como Cristo ressuscitou, também nós e a criação participaremos da restauração (Ap 21:1-5). A esperança do cristão não é uma possibilidade, mas uma certeza. Isso nos dá coragem para enfrentar a vida presente. A esperança em Cristo não é ilusão, mas promessa garantida.
Nossa adoção plena será manifesta quando formos glorificados. Hoje já temos o espírito de Cristo como penhor, mas na glória experimentaremos plenamente nossa filiação (1Jo 3:2). Devemos viver já como filhos da luz, refletindo em parte o que seremos na plenitude. A glória futura já brilha em nós como raios da eternidade.
Quem tem essa esperança deve viver de forma transformada já neste mundo. “Porque para mim, tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). Quem tem os olhos na glória não se perde no vale da dor.
Somos chamados a viver hoje como filhos da luz (Ef 5:8). A esperança futura deve moldar nosso presente, levando-nos a rejeitar o pecado. Não podemos viver como escravos do pecado se já somos herdeiros da glória. Quem é filho do Rei deve viver como cidadão do Reino.
Romanos 8:21 nos mostra que toda a criação será liberta da corrupção para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Essa promessa deve encher nosso coração de esperança e moldar nossa forma de viver hoje.
Se o mundo geme, nós gememos com ele, mas gememos na esperança. Se a criação espera, nós esperamos junto, certos de que o Deus que prometeu é fiel para cumprir.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

