E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.
Uma coisa é o homem ser feito um escravo pela força opressora do ser humano: poder econômico, militar ou ideológico; outra coisa é se tornar servo por livre e espontânea vontade.
A liberdade e a servidão é um dos temas mais abordados nas Sagradas Escrituras, porque o professo povo de Deus conviveu com essas duas realidades sociais.
Essa dicotomia começa a ser evidenciada nas Escrituras Sagradas a partir da libertação do povo hebreu da escravidão egípcia.
Os filhos de Jacó, denominados de nação de Israel, viveram quatrocentos e trinta anos sob regime de servidão na nação egípcia, chegando a gemer de tanto sofrimento. Mas com o aumento das dores resolveram clamar, sendo ouvidos imediatamente pelo Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
Depois dessa terrível experiência, o período mais longo que o professo povo de Deus passou sendo explorado por uma nação pagã, que não conhecia o Deus único de seus antepassados, a nação israelita foi explorada e oprimida por várias outras nações vizinhas: Midianitas, filisteus, assírios, gregos e romanos.
Toda essa vivência com as várias escravidões que os descendentes de Jacó experimentaram durante suas vidas, serviu de tipo para a explicação da coisa espiritual, o antítipo.
O apóstolo Paulo é um dos servos de Jesus Cristo que muito explora esse aspecto da revelação espiritual. Ele usa a palavra liberdade para se referir ao homem espiritual e não ao homem que se encontra solto na rua, fora de uma cela de prisão qualquer.
Ele usa as palavras escravidão ou servidão, escravo ou servo, para tentar revelar o âmbito espiritual da mensagem evangélica que a ele foi confiada. Em nenhum momento, Paulo ou qualquer um dos demais apóstolos, e nem muito menos Cristo, faz um discurso político contra a opressão romana.
Quando eles falam de prisão, refere-se às prisões espirituais. O homem preso às religiosidades dos judeus, com base nas tradições deles, é considerado por Cristo um escravo que precisa experimentar a liberdade espiritual que só Ele pode dar.
Alguns dos apóstolos que foram presos em cadeias de ferro e em celas cavadas nas rochas, mas eram livres no espírito, a verdadeira liberdade que só é encontrada em Cristo.
É por isso que, em um contexto espiritual, Paulo afirma que foi liberto do PECADO e não das grades dos homens. Mesmo impedido de ir e vir, o apóstolo dos gentios era um homem plenamente livre para a verdadeira liberdade.
O problema para muitos que estão presos à letra morta é ler o que Paulo diz na sequência da frase: "E, LIBERTADOS do pecado, fostes feitos SERVOS da justiça".
Como assim? Ficou livre para logo em seguida se tornar servo de novo? Trocar a liberdade pela servidão? Trocar apenas de prisão, de cela?
Não, nada disso. Esse servo a qual Paulo se refere é uma decisão do homem livre, que escolhe servir em liberdade ao Senhor Jesus, por livre e espontânea vontade, sabendo que pode deixá-lo a qualquer momento, mas não faz isso porque ama a liberdade que tem, recebida de Jesus.
Paulo, que se denomina o escravo da liberdade, sabia muito bem de onde Jesus o havia tirado, da terrível cegueira religiosa dos fariseus, mostrando-lhea verdade. Para tentar reparar todas as bobagens que havia feito, logo se candidatou e recebeu o chamado para amenizar o erro, trabalhando para o lado certo.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

