Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem pobreza nem riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada.
Para muitas pessoas, mentira e falsidade são a mesma coisa o que muda é a fonética das palavras e a construção gramatical.
Embora as duas palavras promovam o mesmo fim para quem as pratica e provoquem repulsa e desaprovação por todas as pessoas de bom senso e comprometidas com a justiça e a verdade, são distintas entre si.
A mentira está ligada aos atos das pessoas, podendo ser algo isolado ou rotineiro, mas a falsidade está ligada à índole da pessoa. A falsidade se torna um perfeito sinônimo de hipocrisia quando a pessoa age de forma errada, tendo conhecimento do que é certo a fazer e ainda se comporta como se fizesse o certo o tempo todo e nunca tivesse cometido nada de errado.
Essas duas armas do maligno são totalmente reprovadas pelas Escrituras Sagradas. Para Deus, não existe mentirinha ou brincadeirinha de ser falso para pregar uma peça em alguém isso é mal e nem por brincadeira deve ser usado.
No livro de Provérbios, o sábio Salomão liga as palavras Mentira e Falsidade com outras duas palavras que, embora dicotômicas, antônimas e contraditórias, também causam problemas.
O texto cria uma ligação "respectiva" entre as palavras falsidade com pobreza e mentira com riqueza.
O rei Salomão, o homem mais rico da Terra do seu tempo, possuindo tesouros de prata, ouro e bens diversos, que não seriam fáceis de inventariar com tantos recursos. Ninguém melhor que ele para falar dos perigos que a riqueza pode causar na mente daquele que ama as riquezas temporais.
Da mesma forma que a pobreza extrema é algo horrível de se ver, a riqueza que separa as pessoas e as torna desumanas também não agrada aos olhos de ninguém.
A pobreza pode promover um cenário de falsidade, escondendo aos olhos limitados dos homens um quadro real e verdadeiro. Quantas pessoas pobres financeiramente não são orgulhosas e tratam com desdém seus pares, como se fossem ricas e poderosas? Logo, a pobreza de fato é a de espírito.
É óbvio que, no mesmo cenário de pobreza material, encontram-se muitas pessoas honestas, inteligentes e com valores morais e éticos que formam um quadro lindo de se ver.
Da mesma forma, a riqueza pode criar um cenário de mentira, ocultando do conhecimento das pessoas que pensam que dinheiro compra quase tudo, a realidade dos fatos sobre as pessoas que "desfrutam" dos seus recursos abundantes. Quantas pessoas ricas não são escravas do trabalho e do medo de perder seu patrimônio e tantos outros que experimentam a depressão e outros sofrimentos sombrios?
O sábio deixou claro que o bom mesmo é ter o suficiente para viver com dignidade e com saúde, que estimule a levantar todos os dias dispostos para lutar pela sua sobrevivência e a dos seus a quem ama.
Salomão ainda complementa (Pv 30.9): "Não permita que eu seja rico, para não me esquecer de Ti", revelando os perigos do amor e apego às riquezas, e "Não permita que eu seja pobre demais e sinta o desejo de roubar e profanar o teu Nome".
Os sábios entenderão a riqueza desse conhecimento.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

