Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga a Deus para que talvez te seja perdoado o pensamento do teu coração.
Para os líderes religiosos judeus, fariseus, o pecado só passava a existir depois da consumação do ato concretizado diante dos seus olhos.
Para eles, a prova física, a materialização dos fatos, era a única coisa que importava para julgar e condenar alguém. Sim, condenar, pois viviam para condenar as pessoas.
Eles perseguiram a pessoa de Jesus por todos os lugares, buscando flagrar alguma ação dele que pudessem deduzir ser um pecado ou crime, para O condenar.
Muitas foram as vezes em que Jesus tentou dizer para eles que, ao planejarem em seus corações matarem a sua pessoa, eram eles que estavam cometendo pecado e por isso, eram réus de morte no julgamento de Deus.
O pecado para existir, não é necessário que se materialize, basta ser desejado, planejado, premeditado no coração, conforme ensinou Jesus de forma clara:
"Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração." (Mt 5.28).
Essa compreensão espiritual era uma coisa simples e comum para os apóstolos de Cristo. Pedro ao repreender o homem por nome de Simão, seu homônimo, que havia oferecido dinheiro para receber poder de Deus, pela imposição de mãos, deixou bem claro que o pecado estava no seu coração.
O desejo de Simão era usar o poder de Deus concedido aos homens quando recebiam os dons do espírito santo de Deus, para ganhar muito dinheiro ao impor as mãos sobre as pessoas, ou ser exaltado pelas pessoas e receber glórias dos homens.
Pedro foi taxativo em repreendê-lo publicamente da maldade implícita no seu coração cobiçoso. O apóstolo de Cristo, que também havia sido repreendido pelo Mestre, quando errou por não entender as coisas sagradas, não poupou as palavras para dizer a verdade.
Simão não estava cometendo pecado porque apresentou seu dinheiro vivo, fazendo oferta pela compra do dom celestial, mas já havia cometido pecado pelo que havia em seu coração ganancioso. Ele queria dinheiro e poder.
Pedro disse: "Arrepende-te, pois, dessa tua iniquidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração;" (At 8.22)
O que carecia ser perdoado eram os pensamentos que haviam sido formulados no coração de Simão. A sua atitude de oferecer dinheiro era apenas o reflexo do que já havia no seu interior, nos seus desejos mais profundos.
A boca só fala daquilo que o coração está cheio (Mt 12.34). O Deus Onisciente que sonda os corações, esquadrinhando a nossa índole sem precisar que formulemos todos os pensamentos e nem abrir a boca e falar, já sabe tudo o que desejamos fazer.
Esse Deus justo é quem julga a todos, sem precisar que haja testemunhas humanas que possam delatar as ações dos seus semelhantes.
Fica caracterizado aqui nessa verdade transparente que todos nós necessitamos do Santo espírito de Deus, purificando as nossas mentes dos nossos pecados, pois é nele que tudo se origina.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

