E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação.
A reconciliação é uma das maiores obras da graça de Deus. O pecado havia criado um abismo entre o homem e o Criador. A humanidade tornou-se inimiga de Deus, separada da Sua presença e condenada por sua rebelião. Contudo, Deus, em Seu infinito amor, tomou a iniciativa de restaurar esse relacionamento rompido.
Neste versículo, Paulo apresenta três verdades extraordinárias: a origem da reconciliação, o meio da reconciliação e a responsabilidade dos reconciliados. O texto não fala apenas daquilo que Deus fez por nós, mas também daquilo que Deus deseja fazer por meio de nós.
A reconciliação divina revela a graça de Deus, a obra de Cristo e a missão da Igreja no mundo.
A salvação não começou no coração do homem procurando Deus, mas no coração de Deus buscando o homem. Deus é o autor da reconciliação. O texto é soberano: "E tudo isto provém de Deus." Paulo deixa claro que toda a obra da salvação nasce em Deus, o Pai. O plano da redenção não foi uma ideia humana, mas um propósito do Altíssimo (João 3:16; Efésios 1:4-5; Romanos 5:8).
Nossa salvação não está fundamentada em nossa disposição de buscar méritos por obras realizadas, mas na iniciativa soberana de Deus. Quando um filho se perde, é o pai amoroso que inicia a busca para trazê-lo de volta ao lar. A reconciliação começou no coração de Deus antes de alcançar o coração do homem.
Deus tomou a iniciativa quando éramos inimigos d’ELE. O texto mostra que Deus reconciliou o homem consigo mesmo, usando o Seu Filho como Mediador, uma ponte entre o abismo que os separava. A humanidade não estava apenas distante; estava em rebelião contra Deus (Romanos 5:10). A graça nos alcançou quando não a merecíamos. É como um rei ofendido que envia mensageiros de paz aos rebeldes que se levantaram contra ele. Em vez de ameaçar, condenar ou destruí-los, oferece a paz. A graça de Deus atravessa a distância que o pecado criou.
Deus desejava restaurar o relacionamento quebrado pelo pecado. A reconciliação implica a restauração da comunhão. O objetivo de Deus nunca foi apenas perdoar pecados, mas restaurar os filhos. Deus deseja mais do que nossa obediência; deseja nossa comunhão (1 João 1:3). Deus não apenas removeu a culpa; ELE restaurou a comunhão.
No Jardim do Éden, o homem fugiu de Deus. Na cruz, Deus veio ao encontro do homem. A reconciliação começou quando Deus decidiu buscar, por meio de Cristo, aqueles que haviam se perdido.
Cristo tornou-se a ponte que ligou novamente o homem pecador ao Deus santo. Cristo recebeu o poder de Deus para remover a barreira do pecado. O pecado era o obstáculo que impedia a comunhão entre Deus e os homens (Isaías 59:2). Nenhuma religião, filosofia ou obra humana poderia remover essa barreira. Uma ponte destruída impede a passagem até que alguém a reconstrua. Onde o pecado construiu um muro, Deus, por meio de Cristo, abriu um caminho.
Cristo pagou o preço da reconciliação. A reconciliação exigiu sacrifício. Jesus levou sobre Si a nossa culpa e sofreu a nossa condenação (Isaías 53:5; 1 Pedro 2:24). A cruz revela simultaneamente a justiça e o amor de Deus. Uma dívida impossível foi completamente quitada por alguém disposto a pagar em nosso lugar. A reconciliação custou ao Pai o Seu Filho e ao Filho a Sua própria vida. O preço da nossa liberdade não pode ser calculado pelos valores conhecidos pelos seres humanos.
Cristo garantiu uma reconciliação permanente. Sua obra foi perfeita e completa. A reconciliação realizada por Cristo não é temporária e nem parcial (Hebreus 10:14). Podemos viver em segurança espiritual porque a obra de Cristo é suficiente. Uma escritura registrada definitivamente não precisa ser renovada diariamente. A obra que Cristo consumou na cruz permanece eficaz por toda a eternidade.
Imagine dois penhascos separados por um abismo impossível de atravessar. Cristo tornou-Se a ponte que une o pecador a Deus.
Todo reconciliado é chamado a tornar-se um agente da reconciliação divina. Paulo não fala apenas dos apóstolos, mas de todos os salvos. Todos recebemos o ministério da reconciliação. Não fomos salvos apenas para ir ao céu, mas para servir a Deus na terra. Quem recebe uma mensagem urgente torna-se responsável por entregá-la. A graça recebida transforma-se em missão confiada.
Somos embaixadores de Cristo. Nos versículos seguintes, Paulo usa a figura do embaixador. Representamos o Reino de Deus diante do mundo. Um embaixador não fala em nome próprio, mas em nome da nação que o enviou. O mundo conhece o Rei por meio da vida dos Seus representantes.
2 Coríntios 5:18 revela três verdades gloriosas: a reconciliação nasceu no coração de Deus; a reconciliação foi realizada por Jesus Cristo e a reconciliação gerou uma missão para a Igreja.
Deus tomou a iniciativa. Cristo seguiu o Seu exemplo e pagou o preço. Nós recebemos a responsabilidade de fazer o mesmo.
Hoje, a mensagem continua a mesma: Deus oferece reconciliação por meio de Jesus Cristo. E para aqueles que já foram reconciliados, permanece o desafio: levar ao mundo a mensagem que um dia transformou a nossa própria vida.
Fomos reconciliados em Cristo para viver em comunhão com Deus e enviados para conduzir outros à mesma reconciliação.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

