Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
Jesus experimentou muitas angústias e as Escrituras chega até afirmar que em algumas ocasião Ele chorou diante da incredulidade dos judeus e dos seus próprios discípulos. (Jo 11.36; Lc 19.41 e Hb 5.7).
Jesus sofreu por muitos motivos. Sofria por ver o povo oprimido politicamente pelos judeus e romanos; pela falta de recursos para manutenção da vida; pelas terríveis doenças que agravavam o quadro social; pela servidão religiosa imposta pela ameaça e pelo medo, mas sobretudo, sofria por que eles não conseguiam entender sua linguagem espiritual, porém simples.
Um povo idólatra que estava acostumado a adorar divindades fabricadas pelas suas próprias mãos e venerar homens ricos e famosos, não conseguia entender que Jesus estava glorificando o Pai a todo tempo, mas eles queriam exaltar a Jesus, o Filho do homem.
Muitas foram as vezes que Jesus disse que não era um deus, para todos eles, mas o Filho de Deus (Jo 10.36); que não podia fazer nada de Si mesmo (Jo 5.19 e 30); e nem as palavras que saiam da Sua boca eram dEle mesmo, mas do Pai (Jo 12.49-50); que só havia uma pessoa que podia ser chamada de Deus, e essa pessoa era o Seu Pai (Jo 5.44 e 17.3). De muitas maneiras e em vários contextos, Jesus ensinou essas verdades, mas eles não conseguiam entender com clareza.
Até os próprios discípulos de Jesus, que conviviam com Ele o tempo todo, praticamente, tinham dificuldades de entender com clareza as palavras do Seu Senhor e Mestre, devido à forte influência das palavras dos líderes religiosos que deviam ecoar em suas mentes em fase de aprendizado.
Por isso, ao consolá-los com as palavras contidas no capítulo catorze do livro do apóstolo João, Jesus ao responder a pergunta de Filipe, testemunha para todos que todas as obras que eram feitas, quer sejam por palavra ou ações, era o Pai quem fazia e não Ele.
Todas as palavras e todos os milagres realizados através de Jesus era o Pai quem realizava. Jesus era o perfeito instrumento nas mãos do Pai, para se tornar nosso exemplo e nos encher de esperança, na certeza de que nós também podemos ser instrumentos na execução dos planos de Deus aqui na Terra.
Jesus ensinou e os discípulos entenderam com clareza essa verdade pouco percebida e também pouco ensinada pela igreja cristã tradicional, como se passasse despercebido diante dos olhos dos leitores da Bíblia, tão importante informação sobre Jesus e sobre Deus.
Pedro cheio do espírito santo ensina essa verdade diante de uma incontável multidão, sem medo ou timidez:
"Israelitas, ouçam estas palavras: Jesus de Nazaré foi aprovado por Deus diante de vocês por meio de MILAGRES, MARAVILHAS e SINAIS, que DEUS FEZ entre vocês POR INTERMÉDIO dele, como vocês mesmos sabem." (At 2.22).
Deus habitava espiritualmente em Jesus. O Filho de Deus era o perfeito templo e habitação do santo espírito de Deus. Era dessa forma que Deus habitava em Cristo, em Sua mente. Como a cabeça controla todo o corpo, Deus instruía e dava autoridade para Jesus realizar tais obras, sob Suas instruções e poder.
Também por isso, que o apóstolo Paulo ensina que Jesus Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus manifestada aos seres humanos:
"Mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus." (1Co 1.24).
Jesus é o nosso perfeito exemplo e Sua vida nos dá a esperança de que, assim como o Pai Lhe usou para tão perfeita obra, Ele pode usar para realizarmos feitos semelhantes para honra e glória de Deus, por Seu intermédio.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

