Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.
A paz ensinada e vivida por Cristo e que foi assimilada e compreendida pelos apóstolos, não é simplesmente a ausência de violências em todas as suas facetas.
Também não se trata de um sentimento ou status sazonal, como uma estação climática que tem data para começar e para terminar.
A paz da qual Cristo tanto ensinou e prometeu aos seus santos servos, é uma dádiva de Deus, concedida ao homem espiritual, no seu interior, pelo santo espírito de Deus.
Essa paz espiritual não pode ser encontrada nas coisas do mundo, que é totalmente exteriorizado e materialista. Essa paz é sentida no espírito. Portanto, não pode ser afetada pelos eventos que ocorrem fora do homem.
Obviamente, essa virtude do espírito não pode ser encontrada no homem que vive na impiedade e que ama o que faz, preferindo a vida de perturbação no espírito.
A paz de Cristo também não pode ser adquirida com a força da inteligência humana ou com as riquezas que este mundo estimula o homem a buscar até o seu último suspiro.
Muitos acham que encontrarão a paz de espírito na aquisição de uma mansão, carro blindado, uma silenciosa e tranquila fazenda, muito dinheiro de reserva para não passar aperto financeiro ou promovendo festas e encontros familiares regados à boas comidas e bebidas. Tudo isso pode ser útil se usado com sabedoria, mas a paz não depende disso.
Jesus Cristo, o nosso perfeito exemplo de paz, quando esteve entre nós, passou por inúmeras agruras e aflições, mas nunca deixou de sentir a paz que Deus lhe dava em Seu coração, tornando-Se o concessor de nossa paz, ao ponto de afirmar:
"Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo” (João 14.27).
O apóstolo Paulo chama Jesus de o Senhor da paz (2Ts 3.16). Cristo é de fato aquele que, por Seu espírito, pode nos conceder a paz de espírito para suportarmos as provações com ânimo no coração.
Noutra ocasião, Cristo disse que não veio trazer paz a terra, mas espada (Mt 10.34). Ele não se referia a uma ação violenta de Sua parte, como a incitação de uma guerra, mas falava de forma figurada, comparando as Suas palavras de salvação como uma espada (Hb 4.12).
Os seus ensinamentos que vinham do próprio Deus, eram como espadas cortantes que matava o velho homem cego e aprisionado aos enganos da humanidade, fazendo surgir no mesmo corpo, uma nova criatura espiritual capaz de sentir a paz de espírito.
Cristo veio trazer espada, que simboliza a Sua Palavra espiritual, viva e eficaz, que é capaz de penetrar até as profundezas do ser, separando a medula dos ossos – homem carnal do espiritual (Ef 6.17 / Hb 4.12). Só então poderemos compartilhar com os outros dessa paz.
O homem birrento, magoado, provocador, debatedor, insensato que provoca dissensões entre irmãos, instaurando a tristeza, medo e a dúvida, ao invés da esperança e da fé, não tem Cristo, mas nele habita outro espírito, contrário a paz.
Se não temos Cristo em nós, não teremos paz conosco mesmo, nem com os nossos irmãos, e nem com nada, em toda a natureza em redor.
É a paz interior, fruto do espírito de Cristo em nós, a mola propulsora para que vivamos em paz com todos. Se o Senhor da paz habitar espiritualmente em nós, teremos paz uns com os outros.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

