Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
A presença do Senhor é suficiente para nos sustentar com Sua paz, que gera em nós a coragem, o consolo e a direção certa, mesmo nos momentos mais sombrios da nossa vida.
Todos nós devemos experimentar a travessia por um vale sombrio em determinados momentos de nossas vidas. Esse vale escuro está representado nas perdas, doenças, ameaças, incertezas ou dores profundas que atingem a alma.
O "vale da sombra da morte" é uma figura de linguagem que descreve os momentos mais difíceis e desafiadores da jornada humana. No entanto, Davi foi usado por Deus para nos revelar sobre uma certeza inabalável: não estamos sozinhos.
Quando o medo quer nos dominar, a mente do servo fiel, a presença de Deus nele, o sustentará. Esse (Sl 23.4) versículo não é apenas uma poesia, é um testemunho. É a declaração de um homem que conheceu o escuro, mas foi consolado e encorajado pelo Pastor.
Um menino atravessava um bosque à noite com seu pai. A escuridão era total, mas ele não tinha medo. Por quê? Porque segurava a mão do seu pai. Da mesma forma ocorre com o servo fiel durante sua passagem pelo vale da escuridão: não andará sozinho.
“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte”. A experiência do sofrimento e da escuridão é algo que pode ocorrer na jornada do crente fiel. "Ainda que ..." indica que essa possibilidade pode se concretizar na vida do servo de Cristo, mas isso não é a definição do seu fim.
Ser crente não é receber um seguro garantia contra o sofrimento, mas viver sob uma promessa verdadeira de que o Senhor estará presente com ele nos momentos mais difíceis, como um pastor que guarda e protege suas ovelhas. A fé verdadeira não nos é dada para evitar o vale, mas para atravessá-lo com confiança.
O vale pode parecer profundo e amedrontador, revelando a face da morte, mas é passageiro. O vale é escuro, mas não é eterno. Aquele que disse: "Eu sou a luz do mundo" (Jo 8.12), é o Pastor que estará conosco durante toda a travessia (Mt 28.20).
“Não temeria mal algum, porque tu estás comigo”. A presença forte do Pastor encoraja o homem de fé. A presença do espírito de Deus na mente do homem de fé transforma o terror em confiança e o medo em paz de espírito.
Não sentir o temor dominando o corpo inteiro, não é uma força interior, autônoma, inerente ao ser humano, como ensina a teoria da autoestima, mas vem da fé, pela presença espiritual de Cristo no homem (Gl 4.6). O medo pode até bater à porta, mas na fé o crente é fortalecido para enfrentar os desafios.
O texto bíblico não diz que o Senhor, o Bom Pastor, muda o vale, iluminando-o e espantando para longe todas as ameaças, para que o crente passe sem enxergar ou ouvir qualquer tipo de ameaça, mas diz que Ele muda o homem por dentro, dando-lhe a coragem pela fé. A presença de Deus não muda o vale, mas muda o crente. Deus não ilumina o vale, ilumina o homem.
O Bom Pastor usa a Sua vara e o Seu cajado para proteger o homem interior, consolando-o: “a tua vara e o teu cajado me consolam”. Os instrumentos que o Senhor usa em nosso favor durante a nossa jornada servem para a nossa disciplina e direcionamento.
A vara era comumente usada para proteger o rebanho das feras dos vales, mas também para disciplinar ovelhas rebeldes. As ovelhas que se afastassem da trilha segura, ao passar pelo vale escuro, sofreriam a dor temporária da vara, mas não perderiam as suas vidas. A dor da correção é melhor do que o prazer e a aventura que levam à destruição.
Os mesmos instrumentos que causavam a dor física por alguns instantes, a vara e o cajado, são os mesmos que promovem o consolo: “a tua vara e o teu cajado me consolam”. A dor muscular que o exercício físico produz na pessoa que se esforça para ter saúde, será compreendida e vista como uma bênção quando os exames médicos comprovarem que as doenças foram evitadas devido ao corpo fortalecido pela disciplina.
Como temos encarado os vales sombrios que a vida tem nos apresentado, com medo ou confiança? Aproveitemos a presença de Deus em nós, enquanto passamos pelo vale, para que depois, já na luz das águas tranquilas, desfrutemos da verdadeira felicidade.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

