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Devocional

Pelo Espírito

Por Fábio Amaro

23 de julho de 2024

Pelo Espírito

Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?

O povo de Israel havia começado sua jornada para a obediência e o temor ao SENHOR, recebendo instruções através de ritos e cerimônias e de muitas manifestações sobrenaturais que o Altíssimo usou, coisas físicas para seu conhecimento.

Durante essa fase, dentro das instruções, o Eterno já previa que chegaria um tempo em que a instrução através de coisas físicas, seria aprimorada e substituída pelo ensino, revelações espirituais. 

Foi a partir dessa fase de ensinos espirituais que muitos cristãos, principalmente os gentios, iniciara sua carreira religiosa para servir a Cristo.

Não que o conhecimento das instruções em forma de rituais e liturgias não fossem importantes conhecer, mas o que será ressaltado pelo apóstolo Paulo é o fato da superioridade do ensino e dos aprendizado, diretamente no espírito, através de Cristo (Gl 4.6).

As Escrituras Sagradas desde a antiguidade, já previa que a verdadeira e profunda compreensão espiritual sobre a pessoa do Altíssimo era espiritual: "[…] Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).

Paulo admoesta a igreja na Galácia, pois alguns judeus ou gentios, que haviam descoberto pelo poder do espírito a verdade sobre Jesus e tudo o que Ele representava no plano de Deus, estavam pendendo para os costumes judaicos, retornando aos antigos rudimentos, expressão usada por ele.

Era sabido que os religiosos judeus eram (muitos ainda são) muito apegados aos costumes e tradições que usavam coisas físicas e representativas para o serviço sagrado, e devido a isso, muitos viviam como se fossem justificados por essas obras, ressaltando o esforço próprio e quase desconsiderando a graça de Deus.

O homem sozinho não consegue se aperfeiçoar diante de Deus e nem diante dos homens. Tentar atingir a perfeição, achando que pode vencer o mal sozinho sem a ajuda espiritual de Cristo, é impossível ao ser humano.

O apóstolo Paulo repreende os gálatas, pois estavam sob a forte influência das tradições legalistas dos judeus, que davam suas interpretações à superfície da letra, desprezando a mensagem espiritual. Com isso, estavam ensinando que poderiam alcançar a perfeição com o esforço próprio.

A igreja dos gálatas havia começado a carreira cristã bem, guiada pelo espírito de Cristo, mas desde então estava querendo retornar a forma do institucionalismo religioso, aprendido com o sistema judaico. Paulo chama os membros daquela congregação de insensatos. De fato, era uma insensatez abandonar a guia do espírito de Cristo para seguir orientações humanas, baseadas em seus hábitos e costumes.

O maior problema que Cristo enfrentou aqui foi a cegueira dos religiosos fariseus, tradicionais, preso às aparências (Mt 23.5). O apóstolo Paulo enfrentou o mesmo problema com judeus tradicionais na igreja da Galácia.

Eles estavam beirando a insensatez, pois após experimentar o batismo em Cristo e ter recebido os dons espirituais, tentavam saudosamente, restaurar a antiga religião deles. A intenção de alguns crentes gálatas era um retrocesso, pois uma vez que foram libertados do antigo sistema religioso, opressor e escravizador, queriam voltar as antigas práticas.

Quantas pessoas de hoje agem como os insensatos gálatas? Muitos conhecem a verdade, mas preferem continuar na sua predileção institucional, tradicional, mantendo o estado das coisas temporais acariciadas como se fossem eternas. É necessário nascer de novo. É necessário aceitar o novo que vem de Cristo – novidade de vida (Rm 6.4 e 2Co 5.17). 

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.