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Devocional

Perante O Senhor

Por Fábio Amaro

31 de maio de 2026

Perante O Senhor

Então disseram os homens de Bete-Semes: "Quem poderia estar em pé perante o Senhor, este Deus santo? E a quem subirá de nós?"

O capítulo 6 de 1 Samuel narra o retorno da Arca da Aliança para Israel depois que os filisteus sofreram severos juízos em forma de tumores e hemorroidas por mantê-la em seu território, sob seus domínios. 


Quando a arca retornou a Israel e chegou a Bete-Semes, o povo inicialmente se alegrou. Porém, muitos trataram a presença de Deus com irreverência e curiosidade carnal, olhando para dentro da arca, algo proibido pelo SENHOR. Então veio juízo sobre eles.


Diante daquela manifestação da santidade divina, o povo fez uma pergunta profunda: “Quem poderia estar em pé perante o Senhor, este Deus santo?”


Essa pergunta continua ecoando até hoje. Vivemos em uma geração que fala muito do amor de Deus, mas pouco da Sua santidade. Muitos querem a presença de Deus sem compromisso, comunhão sem santidade e bênçãos sem obediência, mas este texto nos confronta com uma verdade eterna: Deus é santo. Nenhum pecador pode vê-Lo e ficar vivo, sem que antes tenha recebido um corpo incorruptível. Ninguém pode permanecer diante de Deus sem a perfeita santidade. Neste texto encontramos três grandes verdades sobre a santidade de Deus e a condição do homem diante d’ELE.


A pergunta do texto é didática: “Quem poderia estar em pé perante o Senhor, este Deus santo?” Quanto mais o homem compreende a santidade de Deus, mais entende a fragilidade de sua estrutura de humano pecador. 


Os homens de Bete-Semes trataram a Arca da Aliança, que representava a presença e glória de Deus, de maneira irreverente. O problema não era a arca, mas a atitude pecaminosa do povo diante dela. Muitos desejam a presença de Deus, mas não desejam abandonar: o pecado escondido, a religiosidade superficial e a desobediência. A presença de Deus revela aquilo que precisa ser tratado. Quando Isaías viu a glória do SENHOR, imediatamente declarou: “Ai de mim, que vou perecendo (...)” (Isaías 6:5). A luz da santidade de Deus revela as sombras escondidas do coração humano.


O homem natural não consegue permanecer diante da santidade gloriosa de Deus. O povo percebeu seu estado pecaminoso diante do Deus santo. Em Romanos 3:23, declara: “Porque todos pecaram (...)”. Nenhum ser humano possui justiça própria suficiente para permanecer diante de Deus. Ora, se até mesmo Jesus precisou ser ressuscitado em um corpo incorruptível para permanecer à direita de Deus, o Pai, imagine nós, pecadores, que dependemos de Sua mediação!?


A autossuficiência espiritual é um grande perigo. Muitos confiam em religião, em aparência, em cargos e em boas obras, mas ninguém é salvo por mérito próprio. O fariseu da parábola exaltava a si mesmo, enquanto o publicano clamava por misericórdia. Quem se exalta diante de Deus não compreendeu Sua santidade.


O temor do SENHOR produz consciência espiritual. A pergunta do povo contém uma mensagem de temor diante da manifestação da glória divina. O temor do SENHOR não é pânico destrutivo, mas reverência profunda. Em Provérbios 9:10, lemos: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria (...)”. A Igreja precisa recuperar: reverência, temor, santidade e respeito pela presença de Deus. Moisés tirou os sapatos diante da sarça porque aquele lugar havia se tornado santo pela presença da glória de Deus. Onde falta temor, sobra irreverência espiritual.


Um homem só percebe a sujeira em suas roupas quando entra em um ambiente de luz intensa. Assim acontece quando nos aproximamos da santidade de Deus.


O homem não pode se aproximar de Deus de qualquer maneira. A aproximação de Deus exige reverência, obediência e submissão à Sua vontade. Os israelitas ignoraram as orientações divinas sobre a Arca. Deus é amoroso, mas também é santo e puro. ELE não aceita irreverência diante de Sua glória. Hoje muitos querem servir a Deus do próprio jeito, sem compromisso com a Palavra. Nadabe e Abiú ofereceram fogo estranho diante do SENHOR e sofreram juízo sumário. Não podemos moldar Deus aos nossos desejos; devemos nos render à Sua vontade.


Deus busca adoradores sinceros e santos. A presença de Deus exige pureza de coração. Em Salmo 24:3-4, diz: “Quem subirá ao monte do Senhor? (...) Aquele que é limpo de mãos e puro de coração (...)”. Mais importante que aparência religiosa é possuir: coração quebrantado, sinceridade, santidade e obediência. José fugiu do pecado porque desejava preservar sua comunhão com Deus. Deus não procura perfeição humana, mas sinceridade e santidade diante d’ELE.


Um vaso contaminado não pode receber água limpa sem antes ser purificado. Assim também o coração precisa ser tratado para desfrutar plenamente da presença de Deus.


A pergunta de Bete-Semes ainda ecoa na atualidade: “Quem poderá permanecer diante do Senhor?” 


A resposta está em Cristo. Somente por meio da graça, do arrependimento, da santidade e da reverência, podemos nos aproximar do Deus santo. 


Hoje Deus continua chamando Seu povo para: abandonar a irreverência, restaurar o temor, viver em santidade e aproximar-se d’ELE com sinceridade. A presença de Deus não é algo comum. Ela é santa.


Somente quem reconhece a santidade de Deus entende a profundidade da graça em Cristo.


Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.