Tornará a apiedar-se de nós; subjugará as nossas iniquidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.
A palavra "perdão" parece estar se referindo a uma grande perda. A etimologia dessa palavra pode se harmonizar com essa ideia em certo sentido.
A palavra "perdão" tem origem no latim "perdonare", que é formada por "per-" (que significa "total" ou "completo") e "donare" (que significa "dar" ou "entregar"). Originalmente, a expressão tinha o sentido de "dar completamente" ou "renunciae r a algo em favor de alguém". Com o tempo, o termo evoluiu para significar o ato de desculpar ou absolver alguém de uma culpa, dívida ou ofensa.
Em toda ação de perdão há perda. Quem perdoa alguém que lhe deve uma bicicleta, deixou de receber um direito seu e tem um prejuízo ou uma perda de uma bicicleta. Quem perdoa alguém de uma vingança, ficará com a perda de não poder se vingar.
Quem perdoa perde algo e fica no prejuízo, mas ganha algo espiritual de valor intangível e que excede as coisas visíveis, sendo muito maior o seu valor.
Para nos perdoar, Deus, o Pai, perdeu Seu Filho unigênito (Jo 3.16). Para que sejamos perdoados, precisamos perder a nossa vida de amor pelo mundo e de prazeres passageiros e enganosos.
Enquanto Deus perde algo de valor imensurável, nós, pecadores que recebemos do Seu perdão, perdemos aquilo que não tem valor nenhum, mas que, em nossa cegueira, valorizávamos como algo muito precioso.
Ao nos perdoar, o Todo-Poderoso e Juiz justo de todas as causas, perde a oportunidade de fazer justiça sumária para realizar a justiça perfeita, baseada no amor, na equidade e na compaixão.
Ao perdoar, Deus não está perdendo Sua justiça, mas aperfeiçoando-a, indo além das aparências físicas das coisas, pois Seu perdão está condicionado ao perfeito arrependimento do homem no espírito, do fundo do coração.
O povo de Israel já havia experimentado essa dádiva celestial, mas reincidiu em seus pecados, em um espírito de rebelião, chegando a ter dúvida sobre o tamanho das misericórdias de Deus, sendo necessário que o profeta Miquéias trouxesse à lume a verdade sobre a compaixão de Deus.
O Altíssimo estava disposto a perdoar novamente os arrependidos de coração e dispostos a se voltar para a obediência descrita em Sua Palavra, abandonando completamente a vida de perversão e rebeldia contra a justiça.
Se o povo estivesse disposto a tal mudança, então a compaixão de Deus seria manifestada em forma de perdão completo e absoluto, tendo os seus pecados lançados nas profundezas dos mares, nos abismos mais profundos, na completa escuridão e esquecimento.
O povo que estava "perdendo" sua vida de prazeres enganosos, estava ganhando a bênção em forma de perdão e a luz para enxergar a verdadeira vida e o verdadeiro prazer, não da carne, mas do espírito.
Em suma, Deus, o Pai, perdeu o Seu maior tesouro, que não pode ser reposto, para que ganhássemos a vida eterna e um conhecimento que vale mais que a própria vida: conhecer as pessoas do Pai e do Filho (Jo 17.3).
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

