Respondeu Jesus e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
Um dos encontros mais emocionantes e icônicos da Bíblia Sagrada está registrado no evangelho do apóstolo João.
Jesus encontra uma mulher samaritana em um poço cavado por Jacó há vinte séculos, cujas águas não matavam a sede do povo, mas este continuava morrendo e com sede.
O encontro se deu ao meio-dia, quando a luz do sol atinge o seu ápice e esplendor. Na plena luz do sol, a luz de Deus, resplandecida em Cristo, infundiu vida sobre a pobre e discriminada mulher da cidade de Sicar (Siquém).
Aquela mulher solitária e marcada pela dureza da religiosidade dos homens foi a primeira pessoa a quem Jesus se revelou como o Messias, o prometido de Deus para a raça humana, conforme havia prometido ao patriarca Abraão: "E em ti serão benditas todas as famílias da terra." (Gn 12.3)
Jesus pede àquela mulher algo simples: apenas água para matar a sede do corpo carnal, pois jamais pediria algo ao ser humano que estivesse fora de suas possibilidades, como são todos os pedidos que Deus nos faz. Deus nos pede as coisas mínimas, através de Jesus, para nos ensinar sobre o que ELE teve que abrir mão para nos salvar.
A mulher podia dar a Jesus apenas a água "morta", pois todas as pessoas que bebem dela, um dia morrem. Ao pedir água, Jesus não estava apenas querendo matar a sua sede e hidratar o seu corpo que implorava por água, mas usar palavras espirituais cheias de tipologias e sentidos espirituais profundos.
Água na Bíblia é um tipo da "Palavra de Deus", se for potável, boa para o consumo humano. Ao pedir a água da mulher, do poço que era herança de Jacó, está implícita a mensagem de que ela deveria abrir a sua boca e emitir as "palavras" que um pecador tem para entregar ao seu mediador, para que, diante do Pai, busque perdão e justificação.
A pobre mulher não conhecia as palavras de Cristo nem a Sua pessoa. Se conhecesse, teria entregue a água (H2O) e palavras de confissão e pedido de perdão, reconhecendo sua pequenez e necessidade de salvação.
O pecado de não ter conhecimento de Deus e de Jesus Cristo é o maior empecilho da raça humana, e aquela mulher não sabia com quem estava tratando. Assim é a condição de todo ser humano que se sente abastecido com a água da morte, sem enxergar a fonte da vida querendo se revelar para ele.
Somente quando abrimos mão daquilo que julgamos ser a razão de nossa subsistência, nosso tesouro e cobiça, mas que não promove vida, somente a morte, é que estaremos prontos para receber a água da vida.
Bastava a mulher pedir. Se ela tivesse conhecimento, teria pedido. Pedir é uma necessidade real dos homens espirituais. CONHECER e PEDIR é a tônica da maior revelação que Cristo fez aos Seus discípulos, conforme está registrado nos capítulos 14 a 17 do evangelho de João.
Quem pede água viva a Jesus está reconhecendo que a água do poço da tradição, herança dos seus pais, não é suficiente para matar a sua sede de verdade, liberdade e vida eterna. Conhecer essa verdade é o primeiro passo para a verdadeira vida.
Todos nós somos como aquela mulher de Samaria. Jesus deseja revelar-se a cada um de nós e pedir que abramos mão daquilo que nos engana, prometendo vida, para que Ele nos dê a verdadeira vida.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

