E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.
Recentemente, uma frase estampada em uma linda camiseta me convidou a fazer uma demorada reflexão sobre a mensagem exposta, que dizia:
"Jesus confia em você!"
Obviamente, não acredito que a intenção do idealizador dessa mensagem quisesse estimular as pessoas a um profundo exame teológico sobre o caráter de Jesus e sobre o caráter do homem.
Acredito que essa frase tem a intenção de encorajar, ajudando as pessoas que perderam a coragem de realizar coisas simples, porque foram tomadas por sentimentos de pessimismo e por falta de incentivo das pessoas que deveriam fazer isso.
Depois da "onda" mundial da autoajuda que inundou o planeta no início do século XXI, a igreja cristã também surfou nessa praia.
Muitas mensagens de autoajuda estimulando a autoestima dos cristãos começaram a inundar os púlpitos, e os membros gostaram tanto disso, que não se prega outra coisa nas igrejas, ao ponto de muitas igrejas proibirem as pregações com temas de exortações e admoestações.
Deixando um pouco essa constatação do movimento da autoajuda de lado e voltando à minha reflexão sobre a frase na camiseta, sempre com base na Palavra de Deus, imediatamente o espírito de Cristo me fez lembrar de uma passagem escrita no evangelho de João:
"Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia; e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem." (Jo 2.24-25).
A primeira pergunta que me veio à mente foi: "O homem pecador é confiável ou carece receber confiança com muitas condicionantes?"
Bastou fazer uma breve sondagem na memória para perceber que, de Gênesis ao Apocalipse, não havia um homem, fora Jesus, que não houvesse falhado. Paulo chegou a afirmar que não existe um justo sequer (Rm 3.10).
Depois de olhar para dentro de mim mesmo, e nem precisei voltar muitos anos nas minhas memórias das experiências vividas, percebi que o homem não é digno de confiança total e plena.
O Todo-Poderoso, ELE sim é de total confiança. Quando chama alguém para realizar Sua obra, dá confiança para estimular a obediência e conscientizá-lo da responsabilidade que pesa sobre os seus ombros, fazendo parte de um aprendizado, mas faz isso confiando em Seu Nome e em Seu poder.
Somente o poder de Deus no homem é que torna possível a realização da obra que o Altíssimo entrega aos homens para que eles realizem e se tornem participantes de algo glorioso e digno de louvor, porque quer nos honrar e dar do Seu melhor sempre.
Jesus também sabia das terríveis dificuldades que os seres humanos possuem si mesmos. O pecado trouxe ao coração do homem uma grande crise de identidade, pois em algumas ações do homem percebe-se que são filhos do maligno e, em outras, fazem coisas boas pela influência do santo espírito de Deus.
Nessa inconsistência, verifica-se que o homem não é confiável, pois maldito é o homem que confia em outro homem (Jr 17.5). É pela misericórdia de Deus, com muitas condicionantes, que ELE nos concede confiança.
Quando somos conscientizados disso, nos tornamos mais tolerantes e somos estimulados a perdoar os nossos irmãos que erram conosco, pois é da natureza pecadora errar. Por outro lado, guiados pelo espírito de Cristo, devemos nos esforçar para não pecar e buscar a confiança de Deus cada vez mais.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

