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Devocional

Sem Resposta

Por Fábio Amaro

30 de outubro de 2024

Sem Resposta

Então a mim clamarão, mas eu não responderei; diligentemente me buscarão, mas não me acharão.

O silêncio como resposta às ofensas e calúnias é agir com sabedoria.

É verdade que há silêncios que são frutos da indiferença, do desdém e de um espírito desumano que maltrata e deixa sequelas psicológicas para uma vida toda. Isso é mal e reprovável.  

Todavia, o silêncio sucedido da rejeição do perdão e da negação da misericórdia e da graça é justiça aplicada sob medida.

Jesus fez silêncio e se comportou como uma ovelha muda que estava sendo levada ao matadouro. Ele se calou porque nada mais havia a ser dito para ouvidos fechados e selados pelo mal.

Cristo havia pregado por três anos e seis meses, oferecendo ao povo de Israel a graça divina em forma de perdão, redenção e salvação, mas não foi ouvido pelos principais religiosos, que fizeram de tudo para silenciá-Lo, até que conseguiram.

O Filho de Deus silenciou quando o Pai já não Lhe passava mais informações a serem transmitidas (Jo 12.49-50) para o Seu professo povo. Já não havia mais nada a ser dito. Foram anos implorando que aquele povo rebelde abrisse os seus ouvidos, agora era hora do silêncio sem indiferença.

No livro dos Provérbios, há uma promessa de silêncio. Na verdade, é uma profecia condicional. Se o povo fosse fiel aos mandamentos de Deus e andasse na Sua retidão, sempre que consultassem o SENHOR, seriam ouvidos.

Entretanto, se escolhessem o caminho da desobediência, ainda que clamassem e implorassem aos gritos, não obteriam as tão desejadas respostas do Altíssimo. Por muitas vezes, o povo de Israel escolheu o caminho da rebelião.

A rebeldia era uma constante na vida do professo povo de Deus. Em plena rebeldia, o SENHOR enviava Seus profetas pedindo para que o Seu povo ouvisse Suas palavras, mas eles trancavam os ouvidos em resposta.

O risco de quem escolhe tapar os ouvidos para não ouvir a Palavra de Deus é ficar surdo definitivamente para todas as Palavras do Altíssimo, até mesmo quando desejar ardentemente ouvir a Sua voz.

Inclusive, os surdos rebeldes e/ou os rebeldes surdos que buscassem o Todo-Poderoso de madrugada, na hora da angústia e do desespero, quando o sono some e o espírito do homem só consegue sentir dor, medo e desesperança. 

O Deus de amor que é encontrado por todos que clamam em desespero nas madrugadas, agora já não é mais encontrado pelo Seu professo povo que não O quis ouvir quando ELE lhe falava à luz do dia, para seu bem e para que tivessem vida abundante.

Não encontrar a única pessoa que pode lhe ajudar num momento de escuridão total é desesperador. Mais desesperador é saber que a pessoa que pode lhe ajudar está lá, pode lhe ouvir, mas, por uma questão de justiça, escolheu ficar em silêncio. Aquele que busca socorro é consciente de que aquele silêncio é merecido. 

Para que o Deus de amor nos ouça e nos atenda no momento oportuno (Hb 4.16), é necessário que antes O ouçamos. Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito de Deus está nos falando hoje, para que amanhã seja ELE a nos ouvir.

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.