Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.
O pensador brasileiro Mário Quintana, em um de seus poemas da série Inscrição para um portão de cemitério, escreveu: "A morte não melhora ninguém...".
A morte, um reformatório em regime de internato, um convento ou mosteiro, as forças armadas com sua alta disciplina e outras entidades ou coisas, não podem melhorar ninguém, realmente.
Se o indivíduo maldoso não experimentar uma transformação de caráter enquanto vivo, jamais poderá fazê-lo na morte. Nisso concordamos com o famoso poeta.
Mas, isolando a sua célebre frase fora do contexto, façamos uma breve reflexão à luz da doutrina bíblica, da verdade: A morte não melhora ninguém, realmente?
A morte do velho homem é a única forma de uma pessoa passar pela verdadeira transformação de caráter, do mal para o bem. O homem mau pode se tornar uma pessoa boa, quando morre para as coisas do mundo e nasce espiritualmente para Cristo.
O apóstolo Paulo, dentre milhares de pessoas, senão milhões, no mundo, de várias épocas, é prova viva de que a morte do velho homem faz uma pessoa melhor.
Paulo, inclusive, descreve como deve ser essa morte, dizendo: "Eu fui crucificado com Cristo." Para o humilde apóstolo dos gentios, o homem que passou por uma das maiores transformações de vida de toda a Bíblia, tem autoridade para dar tamanho testemunho.
Quando ele usa o termo crucificado, e não uma morte comum, por velhice ou por um acidente doméstico, está querendo nos transmitir uma mensagem espiritual sobre como deve morrer o velho homem. Tem que ser essa morte específica!
A morte de cruz era um espetáculo público, um triste espetáculo. Muitas pessoas testemunhavam aquela dolorosa morte com tristeza ou com alegria, dependendo dos laços que tinham com o crucificado, obviamente.
Da mesma forma deve ser a morte do verdadeiro cristão. Muitas pessoas devem testemunhar que aquele velho homem que elas conheciam, já não vive. De preferência, muitas devem estar presentes quando essa pessoa abrir a boca e confessar para todos que é uma nova criatura, sepultando para sempre o antigo indivíduo desregrado.
Muitas pessoas da fé genuína e que já experimentaram o mesmo ficarão felizes pela morte do velho homem, mas os mundanos que perderão um companheiro para as práticas do pecado, ficarão tristes. Para os dois públicos, o testemunho deve ser dado, pois a nova criatura deve ser um espetáculo ao mundo (1Co 4.9).
Se uma pessoa é crucificada com Cristo, na sua vergonha e humilhação, bem como na Sua fé, também será ressuscitada como Ele foi, como uma nova criatura segundo o espírito de Deus, para Sua honra e glória.
Não há como experimentar a vida em Cristo e garantir a vida eterna no reino de Deus, sem que antes seja experimentada a morte do velho homem. Não basta amputar um braço ou uma perna, nem ficar tetraplégico espiritual. É necessário morrer mesmo. Essa é uma condição SINE QUA NON.
Se Cristo se entregou para morrer por nós porque nos amou, a única forma que nós podemos provar que matamos o velho homem e amamos de fato e de verdade a Cristo, é morrendo por Ele, crucificando o velho homem.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

