E o povo estava olhando; e também os príncipes zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si mesmo, se este é o Cristo, o escolhido de Deus.
Escarnecer do seu semelhante que se encontra numa situação de fragilidade ou vulnerabilidade, como um derrotado, não é apenas desumano, é perversidade.
O ser humano traz dentro si essa pseudo necessidade de querer se afirmar como superior sobre o seu próximo que se encontra em situação desfavorável a dele.
Mesmo que seja alguém que tenha se declarado seu inimigo e tenha lhe perseguido por muito tempo, chegando a justiça na sua vida, e o seu castigo seja visto por todos, publicamente, nada ganhará aquele que com espírito de vingança, passe a desdenhar do que sofre.
Na verdade, é uma grande oportunidade de apresentar o amor de Deus, cujo caráter nos demonstra que não deve se pagar o mal com o mal, mas com o bem.
É verdade que há até músicas evangélicas que estimulam esse espírito de vingança, desejando esfregar a sua vitória na cara daqueles que não lhe ajudaram, quando estava em dificuldades, mas agora que "está na bênção, sua vitória tem sabor de mel". Soa quase como um deboche.
Que espírito se harmoniza com o de Cristo e do Seu Pai, o Deus misericordioso?
O Filho de Deus sentiu na própria pele, pois na sua cara viu a afronta das pessoas que Ele queria salvar. Eles desdenharam e escarneceram de um homem justo que queria apenas fazer o bem para os seus malfeitores.
Essa humilhação desnecessária não partiu de um povo rude e ignorante, que apenas assistia de longe aquela aberração, mas vinha de homens que eram líderes religiosos, que se diziam emissários de Deus e conhecedores da Sua Palavra.
Enquanto o povo só olhava de longe, os príncipes do povo judeu, de perto, zombavam de Jesus Cristo, como se Ele fosse uma grave ameaça que eles haviam vencido.
Nas suas cegueiras reconheciam para suas próprias condenações, que Jesus havia salvo muita gente. O simples fato de não Se salvar, por amar mais as pessoas do que a Si mesmo, cumprindo à risca da letra espiritual, o sagrado mandamento: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo", foi chacoteado publicamente.
Não se tratava de uma cegueira comum, mas de ordem espiritual das hostes do mal, pois faziam ecoar as mesmas palavras do príncipe das trevas, quando tentou o Filho de Deus no deserto, em estado de fragilidade corporal, há quarenta dias sem comer.
No deserto o diabo disse: "Se tu és o Filho de Deus", mas na boca dos homens que eram filhos espirituais do diabo, como Jesus já havia denunciado (Jo 8.44), ouvia-se a seguinte afirmação: "Se tu és o Cristo".
Não era apenas vozes humanas, saída do intelecto humano, que elaboravam tais frases para ecoar na mente de Jesus, tentando colocar dúvidas em Seu espírito em profunda angústia, mas fruto de uma mente superior do mal.
O maior inimigo de Cristo e de Deus, o Pai, instigava os homens para tentar atingir o espírito e a fé do Filho do homem no seu pior estado de fragilidade.
Mesmo em intensa dor e sofrimento, Jesus não lhes proferiu qualquer maldição, mas intercedeu por eles, pedindo que o Pai os perdoassem (Lc 23.34), nos ensinando que não se paga mal com mal. Aprendamos com Cristo!
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

