SUJEIÇÃO OU REBELIÃO?

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E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. Gênesis 3:16

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Efésios 5:22,24

Imagino que não seja cômodo para as mulheres do presente século lidar com as palavras “dominação, sujeição ou submissão”, contidas nos versos citados acima. Digo, no presente século, pois da segunda metade do século XX para trás era muito mais fácil conviver, na prática, com estes conceitos, embora que a sociedade patriarcal, ou machista como preferem as feministas, praticasse alguns abusos e com isso, contribuísse para a deturpação do termo bíblico submissão.

Feminismo é um conjunto de movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias que têm como objetivo comum: direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões patriarcais, baseados em normas de gênero. Envolve diversos movimentos, teorias e filosofias que advogam pela igualdade entre homens e mulheres, além de promover os direitos das mulheres e seus interesses. De acordo com Maggie Humm e Rebecca Walker, a história do feminismo pode ser dividida em três “ondas”. A primeira teria ocorrido no século XIX e início do século XX, a segunda nas décadas de 1960 e 1970 e a terceira na década de 1990 até a atualidade. A teoria feminista surgiu destes movimentos femininos e se manifesta em diversas disciplinas como a geografia feminista, a história feminista e a crítica literária feminista. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo)

Se os costumes patriarcais das sociedades anteriores ao século XVIII elevou os conceitos da dominação do homem sobre a mulher para o status, extremo, de “machismo”, pelos abusos praticados contra as mulheres, não foi diferente o que ocorreu com o “feminismo”, contra o “machismo”.

Como lidar com esses dois extremos?

Só a Palavra de Deus pode nos abrir o entendimento para compreender a relação necessária e desejada por Deus entre homens e mulheres. As transformações sociais não devem superar as verdades eternas que Deus estabeleceu para Seu povo. Os fenômenos sociais denominados de machismo e feminismo não podem escurecer a verdade revelada por Deus em Suas santas escrituras. Os homens e as mulheres de Deus não podem se deixar levar por movimentos sociais, pois em relação à verdade eterna, não passam de sazonalidade. Para isso, o apóstolo Paulo nos aconselha a não nos conformarmos com os conceitos do mundo, mas transformá-lo, renovando-o com o nosso entendimento influenciado e guiado pelo espírito santo de Cristo.

E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2

Para Paulo, todos somos filhos de Deus em Cristo, sem distinção. A nova criatura, espiritual, não faz acepção entre macho ou fêmea.

Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. Gálatas 3:26-28

Os excessos cometidos pela “polarização” entre os adeptos do machismo e do feminismo causaram problemas dentro da igreja cristã, inclusive. Inferiorização ou superiorização dos sexos levaram os cristãos a má compreensão de temas e trechos da Bíblia de maior relevância. O que dizer da submissão de Cristo ao Pai, mesmo depois de glorificado e entronizado pela eternidade sem fim?

E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará Àquele [o Pai] que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos. 1 Coríntios 15:28

E quanto ao fato de que todos os irmãos devem submeter-se uns aos outros em amor e humildade?

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.
Efésios 5:21

Já para os homens que entendem que o “dominar”, descrito na Palavra de Deus, seja entendido a risca da letra da lei, devendo dominar suas esposas com rigor e dureza, conforme a moderna conceituação nos dicionários modernos por força do movimento feminino, o mesmo Paulo que aconselha as mulheres a se sujeitarem aos seus maridos, também aponta as diretrizes e os fundamentos dessa sujeição:

Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Colossenses 3:19

Cortar na própria carne?

Homem e mulher depois de se unirem pelo pacto do casamento, no Senhor, devem ser como uma só carne. Duas pessoas vivendo num “mesmo corpo” sem harmonia é impossível. A harmonia entre duas pessoas diferentes só pode ser conquistada com sujeição das partes. Sujeição à vontade de Deus e contra os interesses mesquinhos e egocêntricos.

E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. Gênesis 2:23,24

A propósito, como se une duas “carnes” tão diferentes e complexas? Se o homem é “razão e reflexo” e a mulher é “emoção e sentimento”, temos, então, uma “carne” completa.

A vida harmoniosa entre Cristo e a Sua Igreja deve ser o padrão de inspiração para a relação entre o homem e a mulher. Ela ama ao ponto de conviver em submissão baseada no amor, respeito e humildade. Já ele, ama ao ponto de entregar a sua própria vida para o bem dela, ao ponto de pensar nas suas palavras e atitudes para não irritá-la.

Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Efésios 5:29

A submissão bíblica é sinônimo de humildade, obediência e amor. Em nada tem a ver com dominação, opressão ou desrespeito. Tem a ver com harmonia e nunca com rebelião. Submissão sem amor é desmando e amor sem submissão é engano.

Por Fabio Amaro